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domingo, 2 de dezembro de 2007

"... Fazer com que os que estão longe fiquem mais perto!"

Estamos na Era dos Computadores, as crianças já nascem a saber o que é a Internet. O estado de ansiedade e impaciência destas crianças e dos jovens, segundo Papert, acelerou a Era da Mudança. No entanto, quem mais “sofre” com esta situação são os Pais, principalmente aqueles, que têm filhos mais velhos que ainda aprenderam a ler e a escrever, ao verem a Rua Sésamo.

Cada vez é mais frequente ver uma criança a jogar play-station ou computador, a ver um DVD ou a ouvir musica, em vez de estar a ouvir as mais belas histórias de encantar. Mais uma vez, quem volta a “ficar por baixo”, são os Pais, que olham para as novas tecnologias de lado, pensando que estas são destruidoras de lares e que “roubam” a atenção das suas crianças.
Mas como tudo na vida, os tempos passam e os hábitos criam-se.
Numa época em que a sociedade exige demais de todos nós e em que as famílias têm cada vez menos tempo para conviverem uns com os outros e para se ouvirem mutuamente, no capitulo 5 do seu livro, Papert alerta-nos para a possibilidade de utilizar o computador como forma de interacção entre pais e filhos e até mesmo entre pais e avós.
"... a necessidade de estabelecerem novas formas de relacionamento com os seus filhos e verem o computador como um meio para construírem a coesão familiar, em vez de o considerarem um factor de desunião" Papert, 1996:116
O computador pode contribuir de uma maneira óbvia, para o desenvolvimento da cultura familiar de aprendizagem, mas... criticando um pouco aquilo que Papert defende neste capítulo (apesar de apoiar fortemente a importância da cultura familiar), surgem-me algumas duvidas.
Como é que se pode falar em estilos de aprendizagem se as crianças passam mais tempo na escola e nas creches do que em casa com os próprios pais?
Como é que os pais têm tempo para "pensarem sobre a aprendizagem familiar" se o mercado de trabalho exige cada vez mais aos trabalhadores, retirando-lhes cada vez mais o tempo que seria dedicado à família?

Ficam as questões.

sábado, 27 de outubro de 2007

“Será a criança a comandar a máquina, ou a máquina a comandar a criança?”


"Fico preocupado com o facto de as decisões fundamentais dos pais sobre o quê e como os seus filhos aprendem serem fortemente influenciadas pelos resultados de um processo de selecção, no qual o estardalhaço produzido sobre os meios de comunicação socila pode prevalecer sobre a filosofia educativa"(capítulo 3: pag. 65).
Esta é, sem dúvida, a citação de Papert no 3º capítulo que mais me fez pensar. Hoje em dia, os meios de comunicação social têm, cada vez mais, uma grande influência sobre as pessoas e uma grande parte do que é transmitido nestes meios é publicidade. E agora pergunto: quantos de vocês é que já não foram alvo da chamada "publicidade enganosa? É este tipo de publicidade que leva muitos pais a adoptarem materiais, livros, programas, jogos que não são os mais adequados para o desenvolvimento e aprendizagem dos seus filhos, afinal o que interessa é o conteúdo.
Segundo Papert conceber produtos baratos e facilmente colocáveis no mercado vai ao encontro das crenças que os pais têm sobre a educação e que este aspecto é um dos motivos pelos quais as políticas educativas do mundo inteiro estão cada vez mais a ser determinadas por considerações puramente comerciais.

Vejamos, por exemplo, as nossas escolas. Estão a ser equipadas com recursos tecnológicos (computadores e não só), no entanto, não são desenvolvidos produtos e estratégias para o seu uso. A quantidade de máquinas e de software incorporados na educação não garantem o desenvolvimento da criatividade dos alunos, tão pouco significa maior qualidade...

Para terminar, deixo-vos uma questão: será que algum dia se vai chegar a um consenso sobre o que é a melhor forma de aprendizagem?