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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Brinquedos feitos de bits (Capítulo VIII)

Neste último capítulo da obra "A família em rede", Papert faz um comparação entre os brinquedos reais e os brinquedos digitais. O autor fala então das bonecas digitais como "entidades que se parecem com bonecas mas que são constituídas por bits e existem apenas no computador." (pág. 250, cap.8) e, apesar de não lhes podermos tocar, os brinquedos digitais têm "mais personalidade e são capazes de nos causarem mais surpresas" (pág. 250).
Construir brinquedos informáticos pode ser muito produtivo, socializar pela Internet é algo que pode ajudar em muito nas relações entre os sujeitos.... mas será que não nos estamos a esquecer que existe mundo à nossa volta e que podemos aprender muito para além de um monitor de computador ou de um teclado?
Na minha opinião, por mais vantagens que os brinquedos digitais tenham, os brinquedos reais serão sempre insubstituíveis, pois a interacção que a criança tem com os brinquedos reais é algo muito importante para o seu desenvolvimento. Não acredito numa Era em que tudo seja digital, em que seja possível as crianças deixarem de jogar à bola na rua para se enfiarem em casa, nos jogos de futebol do computador. Não acredito e desejo que assim não seja.
Será que os brinquedos digitais, que possuem uma personalidade mais complexa, vão substituir totalmente os brinquedos tradicionais?
É necessário que que se estabeleça um equilíbrio entre os dois tipos de brinquedos e, como refere Papert, são os pais que enfrentam o desafio de assegurar que este equilíbrio se mantenha.
Ainda em relação aos brinquedos digitais, já conhecem o "Scratch"? Encontrei há pouco no blogue "Tempo de teia" esta noticia:
"Equipa do MIT cria linguagem visual para ensinar os mais novos a fazer os seus próprios jogos, animações e musica".

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Que escola temos? (capitulo VII)

"O computador trabalha depressa, evolui muito rapidamente e cedo originou algumas mudanças em muitos sectores da actividade humana. Mas não na escola." (pág.206).

Num exemplo ilustrado por papert, neste capítulo, é a comparação entre os professores e os cirurgiões do séc. XIX, e é engraçado verificar que os professores ao chegarem a uma sala de aula actual só ficariam admirados com os objectos estranhos, o vestuário dos alunos e professores, corte de cabelo, etc, mas poderiam perceber perfeitamente o que se estava a passar e poderiam muito bem tomar conta da turma. Sim a escola mudou... mas não tanto como isso.

Como refere Papert, é necessário estabelecer uma escala de mudança, que vá da micromudança até à megamudança.
No caso português, por exemplo, o sistema de ensino não está de todo atento às mudanças a nível tecnológico, ou se está não responde de forma eficaz. No trabalho de campo que andamos a desenvolver na cadeira de seminário, vou a uma escola em que tem, pelo menos 6 computadores numa sala de aula mas nenhum funciona!
Deste modo não poderemos competir com os países Europeus como é óbvio, pois a educação não é um estádio de futebol para onde o dinheiro nunca se esgota; a educação não é propaganda eleitoral para onde o dinheiro foge; a educação é só o principal ponto de uma sociedade e aquele que a faz mover mas...

De consumidor a produtor (capítulo VI)

Isto de ser português é chato, deixamos sempre tudo para a última! Há anos que tento saber porquê. A verdade é que as aulas já terminaram e ainda me falta fazer a reflexão de três capítulos. Alguém devia fazer uma tese sobre isto!! Mas vamos ao que interessa.
Ao ler o capitulo VI ficamos com a sensação de que só não aprende quem não quer, pois está tudo à distância de um "clique". Parece tão fácil! Porém, este clique tem de ter significado, teremos que ter compreendido os seus princípios e termos confiança no que estamos a fazer, de tal modo que nos leve a querer e a permitir experimentar coisas novas. Actualmente há programas computacionais que podem ser úteis em várias áreas.

Na minha opinião, um programa pode ser visto como um projecto que pretende ser uma base da construção de algo, proporcionando a aquisição de novos saberes e o desenvolvimento de criatividade aos seus utilizadores. É só preciso ter em conta a fluência tecnológica de cada um.

domingo, 2 de dezembro de 2007

"... Fazer com que os que estão longe fiquem mais perto!"

Estamos na Era dos Computadores, as crianças já nascem a saber o que é a Internet. O estado de ansiedade e impaciência destas crianças e dos jovens, segundo Papert, acelerou a Era da Mudança. No entanto, quem mais “sofre” com esta situação são os Pais, principalmente aqueles, que têm filhos mais velhos que ainda aprenderam a ler e a escrever, ao verem a Rua Sésamo.

Cada vez é mais frequente ver uma criança a jogar play-station ou computador, a ver um DVD ou a ouvir musica, em vez de estar a ouvir as mais belas histórias de encantar. Mais uma vez, quem volta a “ficar por baixo”, são os Pais, que olham para as novas tecnologias de lado, pensando que estas são destruidoras de lares e que “roubam” a atenção das suas crianças.
Mas como tudo na vida, os tempos passam e os hábitos criam-se.
Numa época em que a sociedade exige demais de todos nós e em que as famílias têm cada vez menos tempo para conviverem uns com os outros e para se ouvirem mutuamente, no capitulo 5 do seu livro, Papert alerta-nos para a possibilidade de utilizar o computador como forma de interacção entre pais e filhos e até mesmo entre pais e avós.
"... a necessidade de estabelecerem novas formas de relacionamento com os seus filhos e verem o computador como um meio para construírem a coesão familiar, em vez de o considerarem um factor de desunião" Papert, 1996:116
O computador pode contribuir de uma maneira óbvia, para o desenvolvimento da cultura familiar de aprendizagem, mas... criticando um pouco aquilo que Papert defende neste capítulo (apesar de apoiar fortemente a importância da cultura familiar), surgem-me algumas duvidas.
Como é que se pode falar em estilos de aprendizagem se as crianças passam mais tempo na escola e nas creches do que em casa com os próprios pais?
Como é que os pais têm tempo para "pensarem sobre a aprendizagem familiar" se o mercado de trabalho exige cada vez mais aos trabalhadores, retirando-lhes cada vez mais o tempo que seria dedicado à família?

Ficam as questões.

sábado, 17 de novembro de 2007

Valores

Já na recta final do capitulo 4, que menciona os valores da aprendizagem, Papert faz referência a algo que me despertou imensa atenção, visto se tratar de um assunto muito em voga: a Honestidade na Internet, ou melhor, a falta dela!
"As vantagens são imensas, mas, pela mesma razão, os riscos são sérios" (Papert. pp 111)
Quem nunca ouviu histórias de pessoas que mentiam em chats? Que alimentavam uma mentira durante um tempo indeterminado? Que se faziam passar por alguém que não são? Através da Internet muitos deixam de ser quem são para passarem a ser quem gostariam de ser. Mudam de nome, de idade, de morada, de personalidade... tornam-se naquilo que querem que os outros acreditem.
"Toda uma cultura de falsas personalidades cresceu com uma rapidez espantosa". (Papert, pp112)

Infelizmente, existem várias histórias de crianças que se deixaram ir nestas ditas conversas, por ainda não terem perdido a inocência e a ingenuidade próprias da idade. É caso para dizer que apesar da Internet ser um meio extremamente importante para uma criança aprender e crescer intelectualmente, infelizmente, esta "porta aberta" é também um meio para ela se perder.

A supervisão de adultos é a melhor forma de assegurar que as crianças não acedem a informação inadequada. Deve haver uma abordagem mais profunda originária de uma cultura familiar baseada na confiança e na veracidade.

Outro assunto que me chamou à atenção neste capitulo foi o materialismo.

"Devemos assegurar que o facto de alguém possuir computador nunca se tornará num « sinal de estatuto»" (Papert, pp 108)

Será o computador uma forma de exclusão? É uma ferramenta essencial para a elaboração de trabalhos. Mas será que um aluno deve ser prejudicado, na sua avaliação por não fazer os trabalhos no computador? É verdade que esta ferramenta nos ajuda bastante na aprendizagem e nos dá acesso a um quantidade ilimitada de informação, mas é igualmente verdade que nem todos têm acesso a esta ferramenta e que muitas vezes quem não possui computador acaba por ter um estatuto diferente de quem possui.

Para terminar deixo-vos uma questão:

O materialismo pode interferir negativamente com a aprendizagem? O «ter e os outros não» pode ser comparado com «o saber e os outros não»?

sábado, 27 de outubro de 2007

“Será a criança a comandar a máquina, ou a máquina a comandar a criança?”


"Fico preocupado com o facto de as decisões fundamentais dos pais sobre o quê e como os seus filhos aprendem serem fortemente influenciadas pelos resultados de um processo de selecção, no qual o estardalhaço produzido sobre os meios de comunicação socila pode prevalecer sobre a filosofia educativa"(capítulo 3: pag. 65).
Esta é, sem dúvida, a citação de Papert no 3º capítulo que mais me fez pensar. Hoje em dia, os meios de comunicação social têm, cada vez mais, uma grande influência sobre as pessoas e uma grande parte do que é transmitido nestes meios é publicidade. E agora pergunto: quantos de vocês é que já não foram alvo da chamada "publicidade enganosa? É este tipo de publicidade que leva muitos pais a adoptarem materiais, livros, programas, jogos que não são os mais adequados para o desenvolvimento e aprendizagem dos seus filhos, afinal o que interessa é o conteúdo.
Segundo Papert conceber produtos baratos e facilmente colocáveis no mercado vai ao encontro das crenças que os pais têm sobre a educação e que este aspecto é um dos motivos pelos quais as políticas educativas do mundo inteiro estão cada vez mais a ser determinadas por considerações puramente comerciais.

Vejamos, por exemplo, as nossas escolas. Estão a ser equipadas com recursos tecnológicos (computadores e não só), no entanto, não são desenvolvidos produtos e estratégias para o seu uso. A quantidade de máquinas e de software incorporados na educação não garantem o desenvolvimento da criatividade dos alunos, tão pouco significa maior qualidade...

Para terminar, deixo-vos uma questão: será que algum dia se vai chegar a um consenso sobre o que é a melhor forma de aprendizagem?

sábado, 13 de outubro de 2007

A familia em rede - 2º capitulo: Tecnologias

As tecnologias na educação, quando bem aplicadas são de facto uma mais valia para a aprendizagem, nisso acho que ninguém tem dúvidas, no entanto, esta “luta” entre os Ciberutópicos (que acreditam nos benefícios dos computadores) e Cibercríticos (que tentam mostrar o lado "negro" da sua utilização), talvez nasça também de um medo, destes últimos, pelos limites que aparentemente não existem, ou seja: até que ponto irá a nossa dependência pelas máquinas, estamos cada vez mais a entrar num ciclo vicioso, ciclo esse que cada vez mais se vem a apoderar também da educação, daí que sejam compreensíveis as preocupações dos Cibercríticos. Nestas questões acho que Papert tem uma visão bastante racional “é necessário encontrar uma melhor abordagem do que simplesmente escolher lados”.

Nas páginas seguintes à sua posição contra estas duas visões, e em que Papert condena o facto de muitas das aprendizagens incutidas nas crianças serem através do engano, o autor sublinha que a aprendizagem será “mais bem sucedida quando o aprendiz participa voluntária e empenhadamente”.
Os exemplos dados no livro, e muitos que todos nós conhecemos da vida real e por vezes até vividos por nós, constatam esta afirmação:

- Os alunos que constroem programas educativos sobre assuntos que consideram aborrecidos (ex: fracções)

- Exemplo da Jenny que aprendeu a compreender a gramática através da utilização do computador.

São apenas dois exemplos, de muitos outros, em que a tecnologia pode ser moldada por cada um de nós, capaz de nos ser útil naquilo que quisermos, em função da nossa imaginação e persistência.
Moldagens estas que muitos educadores não entendem, pois evitam constantemente compreender que a tecnologia está e continuará a trazer mudanças espantosas nas nossas crianças e na sociedade em geral. São por isso, designados como ciberavestruzes, uma metáfora muito bem atribuída para quem enfia a cabeça na areia para não ver as mudanças que ocorrem na realidade envolvente!

Neste capítulo, papert faz, também, uma breve referência a Alan Kay, a quem se deve vários contributos na área das tecnologias. Para quem quiser saber mais, clique aqui e aqui.

sábado, 29 de setembro de 2007

Gerações (reflexão sobre o primeiro capitulo)


Como já referi, um dos objectivos do blog é comentar cada capítulo do livro A família em rede de Seymour Papert. Terminada a leitura do primeiro capitulo, é de referenciar a escrita fácil e cativante do autor.

Neste capítulo, Papert dá a conhecer as diferenças entre pais e filhos/avós e netos em relação ás novas tecnologias. O que Papert viu no seu neto Ian, vejo eu, também, no meu irmão mais novo! É incrível, as crianças agora mexem nos computadores, nos vídeos ou na televisão como se estivessem a rodar um pião (que para alguns até pode ser mais difícil!). Mas na verdade é que estas crianças e jovens nasceram, já na "Era da informática". As palavras que desconhecem vêem trazer-lhes novos desafios e vontade de aprender, cada vez mais as crianças estão a adquirir conhecimentos fora do seio familiar, pois cada vez mais estão a surgir meios de informação apoiados pelas Novas Tecnologias e cada vez mais cedo estão a aprender a lidar com elas.
Já os adultos, na maioria das vezes agarram-se ás suas tradições, subestimam as suas capacidades tecnológicas e não conseguem acompanhar o ritmo de aprendizagem efectuado pelos seus filhos (caso da Lisa).

O que Papert sugere neste capítulo é uma ajuda mútua entre pais e filhos. A realização de actividades conjuntas é uma boa forma de se apoiarem e aprenderem uns com os outros. Isso vai promover a confiança dos pais e a responsabilidade das crianças. Só assim é que a aprendizagem de estilo familiar terá futuro.

Na sua teoria da psicanálise, Freud referiu que "A Criança é o pai do homem". Da mesma maneira, Papert atribui à criança a capacidade de mudar os preconceitos formados sobre a nova era de tecnologias.