sábado, 17 de novembro de 2007

Valores

Já na recta final do capitulo 4, que menciona os valores da aprendizagem, Papert faz referência a algo que me despertou imensa atenção, visto se tratar de um assunto muito em voga: a Honestidade na Internet, ou melhor, a falta dela!
"As vantagens são imensas, mas, pela mesma razão, os riscos são sérios" (Papert. pp 111)
Quem nunca ouviu histórias de pessoas que mentiam em chats? Que alimentavam uma mentira durante um tempo indeterminado? Que se faziam passar por alguém que não são? Através da Internet muitos deixam de ser quem são para passarem a ser quem gostariam de ser. Mudam de nome, de idade, de morada, de personalidade... tornam-se naquilo que querem que os outros acreditem.
"Toda uma cultura de falsas personalidades cresceu com uma rapidez espantosa". (Papert, pp112)

Infelizmente, existem várias histórias de crianças que se deixaram ir nestas ditas conversas, por ainda não terem perdido a inocência e a ingenuidade próprias da idade. É caso para dizer que apesar da Internet ser um meio extremamente importante para uma criança aprender e crescer intelectualmente, infelizmente, esta "porta aberta" é também um meio para ela se perder.

A supervisão de adultos é a melhor forma de assegurar que as crianças não acedem a informação inadequada. Deve haver uma abordagem mais profunda originária de uma cultura familiar baseada na confiança e na veracidade.

Outro assunto que me chamou à atenção neste capitulo foi o materialismo.

"Devemos assegurar que o facto de alguém possuir computador nunca se tornará num « sinal de estatuto»" (Papert, pp 108)

Será o computador uma forma de exclusão? É uma ferramenta essencial para a elaboração de trabalhos. Mas será que um aluno deve ser prejudicado, na sua avaliação por não fazer os trabalhos no computador? É verdade que esta ferramenta nos ajuda bastante na aprendizagem e nos dá acesso a um quantidade ilimitada de informação, mas é igualmente verdade que nem todos têm acesso a esta ferramenta e que muitas vezes quem não possui computador acaba por ter um estatuto diferente de quem possui.

Para terminar deixo-vos uma questão:

O materialismo pode interferir negativamente com a aprendizagem? O «ter e os outros não» pode ser comparado com «o saber e os outros não»?

3 comentários:

Sofia disse...

Penso que infelizmente, aquilo que temes no teu post já aconteceu... a partir do momento em que pontuamos a apresentação de um trabalho, essa questão passa a ser essencial. Um trabalho feito à mão nunca terá o mesmo nível de apresentação para quem o vê do que um trabalho feito a computador, com bonitas imagens tiradas da net para ilustrar o texto, gráficos e tabelas sem serem desenhadas à mão... e pronto, lá está essa apresentação a ser valorizada em detrimento da outra QUE DEMOROU MUITO MAIS TEMPO A FAZER... sim, porque o empenho de quem desenha coisas à mão é necessariamente maior! Vou parar por aqui que já me estou a alongar...

Beijinhos e boa semana!

Cati disse...

Hmmm... em resposta à tua pergunta:

O materialismo pode interferir negativamente com a aprendizagem? O «ter e os outros não» pode ser comparado com «o saber e os outros não»?

Infelizmente, pode interferir e interfere mesmo!
Na minha prática docente diária assisto todos os dias a isso... mas o factor "eu tenho computador e tu não" não é, de todo, o mais gritante... Pior são todas aquelas parafernálias do estilo Playstation ou Wheelies ou tantas outras coisas que os miúdos mais abastados têm e atiram à cara dos que não têm... a frustração que esta competitividade criada pelo materialismo causa, influencia, e muito, a aprendizagem.

Quanto aos computadores, já é tempo de haver aparelhos nas escolas... uma escola inclusiva deve oferecer as mesmas possibilidades a todos. Não achas?

Um beijinho grande... e desculpa o testamento!

The Flep disse...

Acho que está a haver aqui uma confusão entre "aprendizagem" e "avaliação"...

Quanto à cultura de falsas personalidades o caso já é mais sério... Não tem de ser uma coisa má! Eu próprio tenho um mail para fingir que sou outra pessoa (para além do meu mail "normal") e já dei boas gargalhadas com isso. Não há maldade nem prejudico ninguém. Mas quando se trata de crianças o caso torna-se mais grave porque a mentira pode invadir o mundo real... Mas é para essas coisas que servem os nossos bem amados progenitores! (vou-me calar senão tenho um comment maior que o post..)

Mais uma boa intervenção, Isabel! Um beijo.